Ao todo, Portugal tem 17 mil empresas de capital estrangeiro, das quais 9.721 foram criadas na última década, segundo a Informa D&B, empresa que compila dados das sociedades comerciais.
Não obstante, Portugal mantém-se no top 10 (9º posto) entre os países europeus que mais projetos de IDE concretizaram – 196 (248 em 2022, na altura representando uma 6ª posição no ranking). Espera-se comportamento similar no passado ano de 2025, atendendo ao estado de baixo nível de crescimento do País e da Europa.
Face a este quadro, de abrandamento e expetativa, o estudo da EY identifica alguns desafios, para garantir uma melhor resiliência económica a longo prazo: abrandamento demográfico, baixa produtividade média, atraso de algumas reformas estruturais.
Por conseguinte, embora o país apresente alguns aspetos que o têm favorecido – como a estabilidade sociopolítica, a trajetória de desagravamento do défice e dívida, o bom desempenho de alguns setores económicos, o aumento do consumo associado a elevados níveis de emprego – está ainda longe, e pode não conseguir deixar de se distanciar, dos valores de IDE de vários congéneres Europeus, como a França (líder com 1025), o Reino Unido (853) ou até a Espanha (351).
Um facto interessante, nos projetos concretizados, é o aumento da proveniência de investidores de fora da Europa, sendo os EUA e o Brasil os maiores representantes de um todo que assumiu 34% do total em 2024.
O levantamento identifica, como principais setores destinatários:
– o software e serviços IT, com 57 projetos, que, apesar de uma redução, confirma a atratividade do país na economia digital, contribuindo para uma economia nacional mais sofisticada e propiciadora de serviços mais avançados;
– os serviços às empresas e agentes equiparados;
– os transportes e logística;
– o fabrico e fornecimento de meios de transporte;
– o setor financeiro (por um lado respeitando aos Fundos de Investimento que estão a estabelecer a sua operação em Portugal de forma a estarem mais próximos do crescente ecossistema de startups nacional, e por outro derivando da procura das fintechs por um mercado para desenvolver e testar as suas soluções de negócio inovadoras).
No plano regional, surge a região Centro como a que maior elevação experimentou, em projetos concretizados em 2024 (+24%, atingindo 34 projetos), seguida da região Oeste (+22%, alavancando 6 projetos), embora muito longe ainda dos 90 projetos implementados na Grande Lisboa e dos 62 concretizados no Norte.
Olhando para a frente, o EY Attractiveness Survey Portugal 2023 aponta cinco áreas de aposta para a atratividade de Portugal no futuro, enfatizando a dinamização de fatores de atratividade do país e garantindo a mitigação dos entraves que ainda se colocam à captação de IDE em Portugal:
1-Continuar a reduzir e simplificar a carga fiscal e contributiva;
2-Fomentar e desenvolver o acesso a Capital;
3-Encontrar formas de apoiar a afirmação de empresas estratégicas.
Em relação à dinamização de um contexto favorável a investimentos que possam melhor corporizar os interesses estratégicos do País, surgem, como áreas e ações prioritárias, a aceleração da descarbonização, o fomento de tecnologias sustentáveis, o investimento em infraestruturas digitais, a expansão de fórmulas de apoio financeiro a negócios nascentes, a integração dos mecanismos e sistemas de Inteligência Artificial nas empresas, o apoio ao aperfeiçoamento de competências e desenvolvimento de talento para áreas chave, nomeadamente.
(nota: documento completo em https://www.ey.com/pt_pt/foreign-direct-investment-surveys/ey-attractiveness-survey-portugal-2025)